quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mais um pouco de poesia triste

E se houver alguma poesia que não seja triste é porque já não é mais poesia.

Esta escrevi em 2006:


Sobre a maré

Aqui estou, poeta,

Escondida atrás dos versos,

Procurando o que não quero encontrar.


Suicida, me afogo num mar de palavras.

E, no meio de tanta gente, e tanto lixo,

Eu sigo a correnteza, estagnada.

Imersa.


A realidade, que me suga e me traz

As alegrias e tristezas, o bom e o ruim,

É, infelizmente, necessidade.


De tempos em tempos,

A maré me afasta e leva à alguém

E este incessante vai-e-vem enjoa,

Repugna-me.


Melhor seria se não houvesse ninguém,

E nenhum lugar para correr.

Um quarto vazio, sem cores nem paredes,

Ainda é quarto?


Pois eis que nasci completa,

E a vida me despedaçou.

E, hoje, tudo o que sou

São pedaços que um dia foram.


Me leva embora, maré.

Leva pra sempre, enquanto é hora.

Fecha esse ciclo constante.

E me dê o silêncio e a paz,

Que todos merecem ter.

1 comentários:

  1. bizuzices, adorei o nome do blog.....rs

    eu tbm acho o sotaque da olivia engraçado...o problema de ser mestiça com americano, é que os fonemas são mto diferentes mesmo!

    beijus e volte sempre

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